UMA GUERRA PARA VENCER!


Mensagem ministrada domingo, 08/01/2012 - pelo pastor Ezequias, Efésios 6.10-13

 

 

- Eugene Peterson: “Há uma intensa batalha moral. Há maldade, crueldade, infelicidade e enfermidades. Há supertição e ignorância, brutalidade e dor. Deus guerreira contínua e energicamente contra tudo isso. Ele é a favor da vida e contra a morte, coloca-se ao lado do amor e opõe-se ao ódio, favorece a esperança e combate o desespero. Deus é a favor do céu e contra o inferno. Não existe zona neutra no Universo. Cada centímetro quadrado é área de contestação.”.

 

01.  Nesta porção bíblica Paulo expõe o tema da “batalha espiritual” como uma realidade na vida cristã. (vv. 10,11)

 

(a)    Uma batalha que exige um fortalecimento específico (“no Senhor”) por parte do combatente.

 

- "... fortalecei-vos" ou "sede fortalecidos". A palavra no grego é ἐνδυναμοῦσθε e significa fortaleza, tornar-se forte. Ninguém poderá entrar numa batalha enfraquecido.

 

(b)   A “força do poder”, salienta duas palavras gregas em uma expressão interessante: κράτει τῆς ἰσχύος αὐτοῦ

 

- κράτει: vigor, domínio, poder, força; ἰσχύος: poder, potência, proeminência.

 

(c)    O crente se fortalece por uma prática devocional consistente: Martin Lloyd Jones

 

- A Bíblia nos dá conhecimento, e o conhecimento nos edifica. O verdadeiro entendimento, o verdadeiro conhecimento, é algo que nos fortalece, nos edifica e nos firma na fé.

 

- Um dos maiores homens de oração do século passado foi o piedoso George Muller, de Bristol. Era experimentado na oração; e ele ensinava que a primeira coisa que se deve fazer na oração é dar-se conta da presença de Deus. Você não deve começar falando imediatamente. Você pode proferir muitas frases, mas será melhor não fazê-lo se não tiver se apercebido da presença de Deus. É preciso haver amizade, esta comunhão, esta conversação. E a percepção de que você está em Sua presença é infinitamente mais importante do que qualquer coisa que você possa dizer. Quando a temos, enchemo-nos de energia e poder.

 

(d)   Perigo nenhum prevalecerá onde prevalece o poder de Deus; nem fracassará em meio à jornada aquele que estiver armado para lutar contra Satanás. (João Calvino)

 

(e)    O termo “revesti-vos” implica em usar uma roupa sobressalente! Deus não anula a nossa humanidade!

 

- A palavra "revestir" dá a ideia de vestir sobre outra vestimenta, pois o significado da expressão é "vestir de novo". Entendo que, nessa luta espiritual, é necessário mais que as armas próprias do crente, que são válidas, mas incapazes de vencer esses inimigos. Por isso, o convite é: "Revesti-vos" da "armadura de Deus". (Elienai Cabral)

 

(f)    Tem de usar “toda a armadura”, πανοπλίαν, de Deus, o modelo é romano.

 

- Panoplian entretanto não se refere a uma simples armadura. No contexto romano soldados comuns usavam ‘armaduras’ (‘elekoi’) para proteção, forjadas de metal que cobriam parte do corpo do guerreiro. Porém Panoplian refere-se a armaduras usadas por oficiais com o brasão do Imperador que além da proteção indicavam a autoridade daqueles que representavam ali os interesses do Império. É fácil imaginar que esta marca de autoridade possuía mais que um objetivo simbólico. Em meio ao afã da batalha o brasão do Império lembrava porque estavam ali. Inspirava. Indicava o caminho. Concedia um motivo pelo qual lutar, ou morrer. Mas, acima de tudo, trazia sobre si todo o peso da própria pessoa do Imperador e a letalidade do seu Império. Levantar uma espada contra um oficial de César seria uma afronta ao próprio César pois por César havia sido enviado. Residia aí toda a raiz de autoridade e confiança dos que vestiam a Panoplian de César numa guerra romana. (Ronaldo Lidório)

 

(g)   Tudo para “permanecer firmes contra as ciladas do Diabo”.

 

- O texto fala das "ciladas do diabo", vs. 11, onde ciladas, μεθοδείας no original, pode significar a astúcia, os planos, os esquemas ou os estratagemas que visam destruir a igreja. (Fernando Fernandes)

 

(h)   O nosso inimigo é invisível, maligno, astuto, persistente, numeroso e oportunista. A Bíblia o chama de diabo, Satanás, assassino, ladrão, mentiroso, tentador, maligno, serpente, dragão, Abadom e Apoliom.(Hernandes Dias Lopes)

 

- Destas passagens e seus ensinamentos, concluímos que o diabo existe e que está atuante no mundo, habitando nos lugares celestiais, mas também rodeando a terra e os filhos de Deus, exercendo o controle geral sobre o sistema mundano, Zacarias 3.1 e 1 Pedro 5.8. Duvidar da sua existência é o mesmo que desacreditar da Palavra de Deus.

 

Zacarias 3:1

1 - E ELE mostrou-me o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR, e Satanás estava à sua mão direita, para se lhe opor.

 

I Pedro 5:8

8 - Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;

 

02.  Nesta porção bíblica Paulo expõe o tema da “batalha espiritual” dando nomes aos nossos inimigos. (v. 12)

 

(a)    Essa luta não é contra as pessoas, ou ainda às “tendências humanas”: αἷμα καὶ σάρκα

 

- Há dois erros idênticos e opostos nos quais nossa espécie pode cair acerca dos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar e nutrir um interesse excessivo e doentio neles. Os próprios diabos ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros e saúdam o materialista ou o mágico com o mesmo deleite. (C. S. Lewis)

 

(b)   Trata-se de uma luta de contato bem próximo (confronto direto): πάλη,  e isso é ainda acentuado com o uso de πρὸς como “contra”.

 

- Não é luta humana de homens contra homens, mas é luta espiritual contra inimigos espirituais. A palavra "luta" aparece no grego como πάλη e indica o tipo de luta individual, corpo a corpo. Paulo usou essa palavra baseado no tipo de luta que havia nos jogos gregos e, posteriormente, nas arenas romanas, onde os lutadores lutavam corpo a corpo até a morte de um deles. (Elienai Cabral)

 

(c)    Uma luta próximo, bem articulada e contra instâncias do império das trevas:

 

- Não estamos em guerra simplesmente contra outras pessoas humanas, mas contra as forças demoníacas organizadas numa hierarquia que domina a humanidade e o sistema mundial: economia, política, religião e cultura de todas as sociedades (Rm 8.19 – 23,38). O príncipe destes poderes é Satanás que detém o controle de todas as camadas sociais na rebelião mundial contra a autoridade do único e verdadeiro Deus (2Co 4.4; Jo 12.3). Somente o supremo poder de Cristo, que venceu todas essas forças na cruz, pode nos dar a vitória plena e eterna (Cl 2.15).

 

II Coríntios 4:4

4 - nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus

 

- Charles B. Williams: "Pois nossa peleja não é somente contra inimigos humanos, mas contra os governantes, autoridades e poderes cósmicos deste mundo tenebroso; ou seja, contra os exércitos de espíritos do mal que nos desafiam na luta celestial".

 

(d)   Fala-nos aqui de “escalões de Satanás”, de difícil interpretação precisa, sigo aqui a orientação de Fernando Fernandes:

 

- ἀρχάς, ἐξουσίας,  Principado é uma espécie de autoridade superior sobre grandes regiões e muitíssimos seres, e potestades são autoridades subordinadas que exercem funções específicas.

 

- κοσμοκράτορας τοῦ σκότους τοῦ αἰῶνος τούτου, é a figura é de um governante mundial que se auto-arroga o deus salvador, mas que atua motivado pela malignidade de suas intenções.

 

- πνευματικὰ τῆς πονηρίας ἐν τοῖς ἐπουρανίοις, são seres espirituais malignos que constituem as forças do mal, que metaforicamente retratam um exército opositor liderado pelo próprio maligno, o diabo.

 

(e)    O diabo e seus demônios atacam em duas frentes definidas de batalha: no domínio das nações e na perseguição/sedução aos crentes: Mattew Henry

 

- Eles são numerosos e poderosos; eles governam as nações pagãs que ainda estão nas trevas. As partes sombrias do mundo são o alicerce do império de Satanás. Eles estão usurpando e destituindo príncipes sobre todos os homens que ainda estão em um estado de pecado e ignorância.

 

- Os demônios são espíritos maus, e eles especialmente aborrecem e provocam os santos à perversidade, ao orgulho, à inveja, à malícia, etc. Eles nos atacam nas coisas que pertencem à nossa alma e se esforçam para desfigurar a imagem celestial em nosso coração; e, portanto, precisamos estar vigilantes contra eles.

 

03.  Nesta porção bíblica Paulo expõe o tema da “batalha espiritual” reforçando que nela os crentes tem de permanecerem firmes! (v. 13)

 

(a)    Trata-se de uma guerra de resistência, e não podemos ceder terreno a Satanás.

 

(b)   Temos de nos apropriar dos méritos do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário.

 

- Todos os cristãos participam dos benefícios da pessoa e obra de Cristo. Portanto, virtualmente, todos os crentes têm autoridade sobre o diabo e os demônios (Ef. 1.20-23, 2.6).

 

Efésios 1:20-23

20 - Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus.

21 - Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;

22 - E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja,

23 - Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.

 

(c)    O Senhor Jesus já liberou de seu poder para permanecermos firmes no “dia mau”, ἡμέρᾳ τῇ πονηρᾷ.

 

“Por isso peguem agora a armadura que Deus lhes dá. Assim, quando chegar o dia de enfrentarem as forças do mal, vocês poderão resistir aos ataques do inimigo e, depois de lutarem até o fim, vocês continuarão firmes, sem recuar.” (BLH)

 

- Assim, Paulo exorta a Igreja a que se apodere da vitória de Cristo, daquele poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos e O colocou à direita de Deus nos lugares celestiais. Portanto, o guerreiro que está descrito aqui já é vencedor, já conquistou, já colocou o pé no solo inimigo. O que Paulo manda é que esse guerreiro resista às tentativas do inimigo de recuperar aquilo que ele já perdeu e que foi tomado pelo nosso Capitão, o Senhor Jesus. (Augustus Nicodemos)

 

(d)   Por fim, duas situações expostas no texto grego:

 

- "ficar firmes": no grego é στῆναι, que significa oferecer resistência, permanecer firme, dando a entender que o crente deve resistir aos assédios da impiedade, deve batalhar com êxito, obtendo a vitória.

 

- ἀντιστῆναι; Isso denota o resultado final; a capacidade de resistir quando a luta tiver prosseguimento, porque o crente tem em vista conservar sua posição no conflito até o fim, nem deslocar-se e nem desviar-se, mas antes, permanecendo vitorioso em seu posto.

 

Ilust. Quando traduzia o livro de Lucas para o Limonkpeln, um dos dialetos Konkombas e, após realizar a primeira prova de leitura para os líderes nativos da nossa igreja em Koni, um deles perguntou-me: “temos autoridade do Senhor em nossas vidas porque Jesus venceu. Isto eu entendo. Mas autoridade para que ? Em nossa cultura somente revestimos alguém com a autoridade do chefe quando ele é enviado a uma missão especial como adentrar uma aldeia inimiga, representar o seu povo no ‘nyuinn’ (uma festa para guerreiros de todas as aldeias da região) ou quando alguém, durante um conflito tribal, vai até a terra rival dar uma mensagem de paz. Quem não corre riscos não precisa de autoridade”. Era um presbítero, representante de um povo até quatro anos atrás totalmente intocado pelo evangelho que, mesmo sabendo apenas os rudimentos da Palavra, percebia que a autoridade do Senhor sobre a Igreja tem um objetivo: proclamar o Reino de Deus; e assim perguntava: “autoridade para que ?”